sexta-feira, 15 de junho de 2007

História da Semana: O Bobo


Para cada rei com sorte existe um bobo. Para cada bobo bem sucedido existe um rei. Um não existe sem o outro, cada um justifica o trabalho do outro. O bobo precisa do rei para ter assunto. O rei precisa do bobo para saber a verdade. Embora o bobo finja que viveria melhor sem o rei, secretamente sabe que não existiria sem ele. Embora o rei finja que aprecia o bobo, secretamente anseia viver sem ele.

Amarrados nessa desigualdade, um deles é mais forte que o outro. Porquê?

8 comentários:

Anónimo disse...

Sem dúvida um livro que não nos deixa "ficar a dormir!"

Anónimo disse...

Alguém disse que a melhor resposta para uma pergunta é a que destroi ou anula (i.e., esvazia de sentido) a mesma...
na essência, nenhum é mais forte que o outro pois cada um (bobo e rei) dependem, em última instância, apenas de si mesmos e da perspectiva que dedicam à relação como o outro. Se quiserem ou se necessário, podem (re)aprender a viver sem o outro - haverá perdas mas, inevitavelmente, ganhos. O rei poderá pensar noutras formas de conhecer a "verdade"( qual delas?); o bobo poderá procurar outra corte, com outro rei, ou mesmo deixar de ser bobo - esta será porventura a maior vantagem do bobo relativamente ao rei - deve ser bem mais fácil deixar de ser bobo que rei...

Abraço,
OS

Peter Pan disse...

... e um dia o rei perguntou ao bobo:
- se sabes tanto, diz-me quando é que morrerei?
E o bobo bem sucedido respondeu:
- um dia depois da minha morte.

Pan

(PS: não quero o seu livro. Irei comprá-lo)

Anónimo disse...

O bobo é seguramente o mais forte, pois tem do seu lado a aparente verdade, com a qual poderá animar ou deprimir o Rei, enfraquecendo-o, atacando a sua vaidade e a sua auto confiança.
O poder está na (boa ou má) gestão da informação..

Anónimo disse...

Muitas vezes sinto-me um bobo... Esqueço-me é que nesse papel também tenho o meu valor... E no final.. De bobo não tenho nada!!!

Anónimo disse...

A história “O Bobo” traz imediatamente à memória situações pessoais ou profissionais que já vivenciámos ou observámos.
Mas a mim apetece-me comentar a história à luz das relações familiares. Mais concretamente, da perspectiva que Bobos e Reis têm das mesmas.

Perspectiva dos Bobos:
Não escolhemos pais, irmãos, avós, tios, primos e “afins”... mas alguns deles são pessoas com quem podemos contar. E também pessoas com quem queremos passar algum tempo de qualidade. Sem eles, não seriamos quem somos. Mas isso não nos incomoda. Pelo contrário.

Perspectiva dos Reis:
Nunca faltamos ao almoço “domingueiro” e muito menos aos aniversários, baptizados, casamentos ou jantares de Natal com a família (muito) alargada. Fazemos figura de “corpo presente” sempre que é preciso. Mas cada vez que algum destes eventos se aproxima, não conseguimos evitar o desejo de que o organizador adoeça! Claro que não queremos ser o organizador... E não tomamos qualquer iniciativa para reunir a “corte”. A não ser quando temos todos os olhos postos em nós!

Na famílias, os Bobos são os que procuram conhecer as pessoas de quem “dependem”. Com sorte, ficam a saber o que podem ou devem fazer para se sentirem bem nessas relações.

Moral do comentário à história:

É mais forte quem tem maior consciência das suas “dependências” e quem procura a razão de ser das mesmas. Para se compreender a si próprio na relação com os outros. Para mudar. Para ficar na mesma. Para o que quiser.

Rei que não percebe isto... é “bobo”!

Anónimo disse...

O bobo sempre será um elemento fundamental para o "Rei" manter o seu trono, porque cultiva a arte de tornar-se útil e indispensável ao seu rei, mesmo tendo consciencia da sua condição submissa. O Rei, por seu turno, mesmo sabendo que tem o poder de o substituir a qualquer momento porque "bobos" há muitos, preserva-o ilundindo-o de que ele, realmente, é indispensável. No fim de contas, ambos têm poder. Num, consagrado, noutro atribuido. Mas como o rei, por vezes, reconhece a sua condição humana e limitada, sempre que errar terá o bobo para lançar as culpas. E o bobo sabe disto. No fim de contas, haverá momentos em que o bobo se sente rei e o rei se sente bobo.

Anónimo disse...

O Bobo precisa do Rei por uma questão de sobrevivencia, sem ele, o bobo nao existeria. O Rei precisa do Bobo por uma questão de vaidade.. assim sendo, o bobo é mais forte porque age em função do que precisa para viver. O Rei mais do que sobreviver ou viver, existe pelas opinioes do bobo, deixa de "ser". Fica um espectador do seu proprio eu. Ele secretamente deseja nao ter o bobo porque assim seria autosuficiente. Mas por medo, ou cobardice, nao se consegue desfazer dele e confrontar consigo proprio..

desculpem a ortografia, a minha lingua principal é o francês