Duas pessoas fazem um caminho.
Duas pessoas fazem um caminho lado a lado.
Ou melhor, duas pessoas fazem cada uma o seu caminho lado a lado.
Embora pisando o mesmo caminho e seguindo na mesma direcção, duas pessoas fazem cada uma o seu caminho, lado a lado.
Com passos diferentes, à medida do cansaço de cada perna, com olhos diferentes, na sedução das cores de cada paisagem, com ouvidos diferentes, limitados ao ruído de cada eco, com corações diferentes, do tamanho das emoções guardadas, duas pessoas fazem um caminho lado a lado, acreditando fazer o mesmo caminho juntas.
Porque acreditariam duas pessoas que fazem juntas o caminho que fazem lado a lado?
Por desconhecerem a natureza dos passos próprios? Por não medirem o tamanho do coração em cada emoção? Por avançarem despreocupadas com a paisagem nos olhos do outro?
Se duas pessoas fazem, cada uma, o seu caminho lado a lado, percorrendo um caminho juntas, isso só pode ser porque o caminho que cada uma percorre é único, e se desfaz na poeira dos passos depois de pisado.
Com que parte do corpo é percorrido o verdadeiro caminho? O caminho que os passos pisam é mais certo que o caminho que os olhos vêem? O caminho que o coração sente é mais verdadeiro que o caminho que os ouvidos encontram?
Duas pessoas fazem um caminho lado a lado, percorrendo cada uma o seu caminho na cabeça.
Uma da outra.
Lado a lado.
Duas pessoas fazem cada uma o seu caminho na cabeça, seguindo um caminho lado a lado.
Quem acreditas que segue o caminho contigo?
domingo, 1 de julho de 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
4 comentários:
Alguém dizia que o importante é o partir, não o chegar. Entretanto há que percorrer a ponte que se estabele entre ambos. Decidir partir e caminhar lado a lado, não significa chegar lado a lado ao fim. Os pés avançam. o coração motiva, a cabeça coordena. E nesta caminhada é o silêncio que ensina o ritmo das passadas. Partilhar esta caminhada não é ser o outro, é estar lado a lado tendo o mesmo horizonte á frente. E, desta forma, também se pode aprender sobre uma nova forma de olhar para esse horizonte para onde se caminha.
Mesmo nos caminhos lado a lado cada um vê o seu próprio caminho, a sua perspectiva, os seus detalhes. Pode não ser uma perspectiva romântica, e admito que até pode fazer lembrar o realismo dos deprimidos, mas é, para mim, a certeza de um caminho certo.
Porquê? Porque nascemos sós, morremos sós e vivemos quase sempre sós, mesmo no meio de muita gente.
Só eu sigo o meu caminho. E a forma como o vejo é minha. Influenciada por aquilo que sou e quero ser.
Com sorte, vai ali alguém ao lado a seguir o seu caminho... e sente-se uma vontade recíproca de ir partilhando experiências.
Quantos caminhos existem? O que duas pessoas fazem, pensam fazer, acreditam que fazem, lado a lado, é sempre uma multiplicidade de caminhos. O caminho que A pensa que faz com B é sempre diferente do que B pensa que faz com A. E cada olhar exterior sobre esse percurso, lado a lado, verá um caminho diferente. Qual deles é mais verdadeiro?
Parabéns por mais um livro. Que tenha o sucesso suficiente.
Enviar um comentário